
Algumas bandas não apenas atravessam gerações, mas seguem tão influentes e vibrantes quanto no início. Verdadeiros furacões do rock alternativo e do grunge, Garbage e L7 continuam conquistando novas levas de fãs com seu som poderoso e atitude transgressora.
Na última sexta-feira (21), em um encontro inédito no Brasil, essas lendas transformaram o Rio de Janeiro em palco de uma festa inesquecível do rock e da resistência feminina na música.
O rugido grunge do L7
Como bem disse Shirley Manson, vocalista do Garbage, não há no mundo uma banda como L7. Elas personificam a crueza, a veracidade e a irreverência de uma banda de rock visceral e sem filtros.
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Cada vez mais à vontade em terras brasileiras, o autêntico quarteto californiano L7 — formado pelas incomparáveis Donita Sparks (voz e guitarra), Suzi Gardner (voz e guitarra), Jennifer Finch (voz e contrabaixo) e Demetra Plakas (bateria) — iniciou sua temporada de shows em 2025 no melhor lugar possível.
Com um público fiel e faminto por riffs viscerais, a banda entregou um setlist incendiário. Eles alternaram entre clássicos, faixas inéditas e canções menos óbvias, como “The Beauty Process” e “Must Have More”. Além disso, não faltaram explosões sonoras com “Scrap”, “Fuel My Fire” e outras pedradas que mantiveram a energia do show.
O quarteto fez questão de demonstrar seu carinho pelo Brasil, relembrando histórias com os fãs e mencionando a figura que inspirou a faixa “Andres” (do álbum Hungry for Stink, de 1994), um brasileiro amigo da banda. O amor foi recíproco e até rendeu um pedido de casamento a Donita Sparks, embora a guitarrista já seja comprometida.
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O ponto alto da noite veio com a execução de “Pretend We’re Dead”, do álbum Bricks Are Heavy (1992), produzido por Butch Vig. Para surpresa geral, os membros do Garbage invadiram o palco para cantar e dançar junto com o L7, criando um momento de pura celebração entre as bandas e o público.
Com um final eletrizante, o L7 mostrou que sua autenticidade e energia continuam intactas. O quarteto não apenas aqueceu o público para o Garbage, mas reafirmou por que seu nome segue cravado na história da música.
Garbage retorna ao Rio de Janeiro após quase 10 anos
Em Setembro de 2023, o Garbage se apresentou no festival The Town, em São Paulo. Durante o show, Shirley Manson causou apreensão ao mencionar incertezas sobre a continuidade das turnês. No entanto, menos de dois anos depois, o grupo voltou ao Brasil com força total, encantando o público carioca que o esperava por quase uma década.
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No palco, Shirley Manson — acompanhada pelos guitarristas Duke Erikson e Steve Marker, pelo baterista Butch Vig e pela baixista Nicole Fiorentino (ex-The Smashing Pumpkins) — entregou uma performance vibrante e cheia de carisma.
Com sua presença de palco magnética e inconfundível, a vocalista cruzava o espaço de ponta a ponta, distribuindo sorrisos, acenos e interagindo intensamente com uma plateia que reuniu fãs de todas as idades.
Discursos e conexão emocional
Shirley usou o microfone também para provocar reflexões, como era esperado. Ela abordou questões políticas e sociais com paixão, reafirmando seu apoio à comunidade LGBTQIAPN+ e destacando a importância da solidariedade em tempos de crise.
Com sua fala, transformou o show em um espaço de resistência e empatia, conectando ainda mais o público à mensagem do Garbage.
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A conexão entre as bandas da noite foi outro destaque. Shirley demonstrou gratidão e reverência ao dividir o palco com o L7. A união entre os dois grupos foi a tradução perfeita de tudo o que essa noite representou: força, comemoração e luta coletiva.
Clássicos e um encerramento vibrante
Embora o setlist tenha sido mais curto em comparação a outros shows da América Latina, o Garbage compensou com entrega absoluta.
Hits como “Stupid Girl“, “Push It” e “Cherry Lips (Go Baby Go!)” colocaram o público para dançar, enquanto faixas como “The Trick is to Keep Breathing” e “Special” trouxeram momentos de pura emoção.
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No final, Shirley desceu do palco para cantar “When I Grow Up” no meio da plateia, encerrando o show com uma explosão de energia e conexão genuína.
A celebração da noite foi um reflexo do legado do Garbage. Shirley não apenas demonstrou gratidão por dividir o palco com o L7, mas também reforçou o espírito de resistência e parceria que define a trajetória das duas bandas.
Garbage e L7: uma noite sem igual no Rio de Janeiro
Com performances explosivas e emocionantes, discursos poderosos e uma interação arrebatadora com o público, as bandas reafirmaram sua representatividade. Assim, a energia compartilhada no palco e entre as gerações na plateia tornou a noite única, uma verdadeira homenagem à diversidade e à essência do rock.
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L7 no Rio de Janeiro (21/03/2025)
Setlist:
“The Beauty Process”
“Scrap”
“Monster”
“Fuel My Fire”
“One More Thing”
“Stadium West”
“Andres”
“Must Have More”
“Bad Things”
“Stuck Here Again”
“Everglade”
“Dispatch From Mar-a-Lago”
“Shove”
“Pretend We’re Dead” (com Garbage)
“Shitlist”
“Fast and Frightening”
(Continua após a galeria)
Garbage no Rio de Janeiro (21/03/2025)
Setlist:
“Queer”
“Fix Me Now”
“Empty”
“The Men Who Rule the World”
“Wicked Ways” (com trecho de “Personal Jesus”, do Depeche Mode)
“The Trick Is to Keep Breathing”
“Wolves”
“Cup of Coffee”
“Vow”
“Special”
“Stupid Girl”
“Only Happy When It Rains”
“Milk”
“#1 Crush”
“I Think I’m Paranoid”
“Cherry Lips (Go Baby Go!)”
“Push It”
“When I Grow Up”
(Continua após a galeria)